Embora se venda no mercado como detentora de “infraestrutura de Primeiro Mundo”, associada à imagem de modernidade, a Universidade Positivo tem causado dissabores ao corpo docente com algumas práticas consideradas incongruentes e em alguns casos abusivas. Muitos professores contratados por TI (tempo integral) estão lecionando entre 24 e 26 horas aula, acima do limite previsto na cláusula 16 da Convenção Coletiva de Trabalho, que é de 20 horas em sala de aula e 20 horas dedicadas a atividades extraclasse, o que desnatura completamente o instituto.
Sentindo-se explorados, os professores encontram mais dificuldades para produzir artigos e outras publicações, considerando que também orientam TCCs, planejam aulas, preparam atividades internas dos cursos e atendem aos discentes. “Desta forma, o ensino – que deveria incentivar pesquisa e crescimento profissional dos alunos – está virando uma produção em série de pessoas para o mercado, deixando a qualidade de lado”, avaliam. E apontam a contradição entre a retórica e a prática. Recentemente a Pró-Reitoria de Graduação lançou um programa de estímulo às publicações científicas em forma de bônus por metas atingidas. No entanto, com os limites de suas horas-aula extrapolados, os professores não dispõem de muito tempo hábil de permanência para se dedicarem a publicações.
“Aulas no Portal”
A elaboração de conteúdos específicos para o portal da Universidade Positivo continua a gerar descontentamento no corpo docente, pois a instituição se nega a remunerar os professores pelos trabalhos, em sua maioria diferentes daqueles ministrados em sala de aula. De acordo com uma resolução da reitoria, que entrou em vigor obrigatoriamente para todos os cursos, sem discussão com o professorado, as “aulas no portal” devem ser publicadas antecipadamente para que os alunos estudem seus conteúdos antes de cada aula.
Uma vez que devem possibilitar ao aluno o “estudo do tema”, a circular deixa claro que as aulas no portal não podem se limitar ao enunciado dos tópicos que serão tratados. Além disso, a avaliação feita pelos professores junto aos alunos deve reservar obrigatoriamente 20% da nota bimestral para temas colocados no portal e não ministrados em sala de aula. O material deve ainda ser produzido de modo que o aluno possa estudá-lo “por conta própria”, ou seja, dispensando a aula ministrada pelo professor em sala. Como se não bastasse, a UP ainda estabelece critérios rigorosos para a avaliação periódica do material publicado e vem exigindo que os professores assinem documento de duvidosa legalidade “renunciando” aos direitos autorais decorrentes desta atividade
O Sinpes considera a postura da UP uma completa distorção da finalidade precípua do processo de ensino-aprendizagem, além de explorar financeiramente o professor, compelindo-o a realizar tarefas para a instituição sem a correspondente remuneração, ainda se apropria indevidamente de seus direitos autorais.
“Outras decisões”
Em mensagem eletrônica enviada aos professores, a coordenação do curso de Publicidade e Propaganda da UP passa uma descompostura e ameaça tomar “outras decisões” caso a situação abordada não se resolva na base da conversa e do entendimento. Refere-se ao fato supostamente constatado pela coordenação de que “de modo sistemático, pela manhã e pela (sic) noite, o horário não vem sendo cumprido, (...) com alunos nos corredores, o que acaba atrapalhando as aulas dos professores dos demais cursos”. É lamentável que, em pleno Século 21, uma instituição de ensino superior reclame da efervescência de seus pupilos nos corredores, pretendendo mantê-los dentro de uma disciplina mais apropriada aos quartéis. E que prédios modernos e vistosos construídos segundo primorosas regras estéticas não contenham salas de aula com proteção sonora adequada. A mensagem é concluída com “Por favor, e isto já é um último aviso, vamos cuidar daquilo que é o essencial: o dia-a-dia da sala de aula. Novamente, professores que cumprem o horário, fiquem tranquilos – este recado não é para vocês”.
Antes de redigir e enviar uma mensagem dessa natureza, a coordenação deveria tratar com mais seriedade seu corpo docente, certificando-se de quem são os responsáveis pontuais pelo “não cumprimento do horário” e dirigindo-se pessoalmente a cada um deles para tratar do assunto, ao invés de estabelecer generalizações constrangedoras que só fazem piorar um ambiente de trabalho já deveras estressante.
Contabilidade equivocada
Em janeiro deste ano, o contador da administração central, Jaime Pallaoro, emitiu expediente a escritórios de advocacia solicitando “a gentileza” de fornecer a auditores informações sobre ações trabalhistas contra o Centro de Estudo Superior Positivo Ltda, tais como as relações analíticas indicando número de nota fiscal duplicata, emissão, vencimento, valor, etc, do saldo a seu favor proveniente de fornecimentos normais e de quaisquer outros saldos existentes, descrevendo a natureza de cada um. Tal solicitação é considerada absurda, uma vez que não compete aos escritórios de advocacia trabalhista prestar serviços a título de “gentileza” às instituições patronais. Os dados sobre ações trabalhistas estão disponíveis no setor de distribuição da Justiça do Trabalho, podendo ser acessados a qualquer tempo pelas partes, por meio de seus respectivos advogados ou até mesmo pessoalmente. |
O OUTRO LADO
Até o fechamento desta edição, o Didata não recebeu retorno ao pedido de esclarecimentos enviado à instituição. |
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