A despeito das inúmeras e crônicas irregularidades nas relações trabalhistas com o corpo docente do Uniandrade, em janeiro deste ano o Grupo Campos de Andrade anunciou a pretendida incorporação da Universidade Gama Filho, tradicional instituição de ensino do Rio de Janeiro, com 70 anos de existência. A empresa também incorporou nos últimos anos a Universidade Ibirapuera (SP) e a Faculdade Alvorada (DF).
A notícia veiculada na página de Economia do jornal paranaense Gazeta do Povo em 7 de janeiro do corrente relata que a expansão geográfica ocorre pouco tempo após o grupo se envolver em uma série de problemas, como uma dívida de R$ 11,2 milhões com a Rodobens, atrasos no pagamento de salários e demissão de quase 25% do corpo docente da Universidade Ibirapuera, cuja gestão foi assumida em abril de 2009. A mesma matéria apresenta declaração do reitor José Carlos Campos de Andrade, que considera a Gama Filho “um bom ativo”, revelando sua visão particular do “negócio” do ensino superior privado. Na entrevista, Andrade afirmou que não ocorreriam demissões e anunciou a intenção de dobrar o número de alunos por meio de 15 novos cursos à distância. Sobre as dívidas do Uniandrade, ele declarou que “em seis meses todas estarão quitadas”.
Não é bem essa a realidade do Centro Universitário Campos de Andrade. Famosa por violar frequentemente a legislação trabalhista, há muitos anos a instituição penaliza seus professores com atrasos constantes no pagamento dos salários, férias, 13°, INSS e FGTS, motivo pelo qual sofreu ações judiciais por parte do Sinpes e foi considerada exemplo de péssima gestão. O 13° salário de 2009, por exemplo, não foi pago em dia e está sendo quitado mediante parcelamento.
O OUTRO LADO
Até o fechamento desta edição, o Didata não recebeu retorno ao pedido de esclarecimentos enviado à instituição. |
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