No início do semestre letivo, após 11 meses de negociações, marchas e contramarchas, finalmente foi submetido a plebiscito junto aos professores da PUCPR uma proposta palatável para retorno das chamadas gratificações de titulação. Trata-se de direito que era sonegado aos professores que foram admitidos após 2006 aproximadamente, do qual estavam privados mediante ato unilateral da PUCPR, contrário ao princípio constitucional da isonomia.
Não foi uma negociação fácil. Ao final do ano passado os professores corajosamente rejeitaram por meio de plebiscito uma proposta divisionista que praticamente alijava os mestres do processo, sob os protestos de alguns doutores, que viram na postergação do ajuste medida contrária a seus interesses imediatos. Por uma margem estreita de votos, os professores da PUCPR chancelaram a impressão que o sindicato teve de que na oportunidade era preciso resistir ao balão de ensaio que fora submetido ao crivo plebiscitário, já que imperiosas necessidades de mercado - representadas pela grande evasão de doutores - acabariam quebrando a espinha dos setores mais radicais que insistiam em afastar boa parte dos mestres do benefício.
O lance conjugou boa dose de paciência e ousadia e atos sincronizados com o apoio da Associação dos Professores da PUCPR - inclusive o ajuizamento de um ação trabalhista, pleiteando o retorno das gratificações de titulação para todos os mestres e doutores -, revelando a inconveniência de atender ao canto da sereia de soluções imediatistas para parcelas elitistas da categoria.
Em contrapartida ao ajuste, o Sinpes desistiu da ação trabalhista ajuizada, abrindo mão de cobrar os atrasados pela via da substituição processual. Entretanto os professores - individualmente ou através de ações plúrimas – podem prosseguir na busca dos direitos que lhes foram sonegados pela via judicial, servindo a ação ajuizada pelo sindicato como ato interruptivo da prescrição.
Lamente-se que a PUCPR seja a única instituição de ensino superior que prestigia a negociação coletiva para solução de pendências trabalhistas. Embora não seja um mar de rosas, visto que no varejo subsistem posturas autoritárias como a do mestrado de Direito - que promoveu o descredenciamento de talento e perdeu importantes cérebros por ímpetos personalistas de maiorias de ocasião, desconsiderando dados objetivos de produtividade e formação estampados nos Currículos Lattes de seus integrantes -, é de se elogiar a racionalidade de se buscarem soluções para os problemas trabalhistas por meio desse mecanismo tão democrático de resolução de impasses.
Quanto ao acordo coletivo de 2009/2010, ainda em aberto até o fechamento desta edição, foi convocada Assembleia Geral da categoria para 20 de abril, na APP Sindicato, a fim de ser discutida, aprovada, ou rejeitada a última proposta do Sinepe para o fechamento do texto.
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